eSocial SST sem susto: o que são os eventos S-2210, S-2220 e S-2240
Três eventos concentram as informações de saúde e segurança no eSocial. Veja o que cada um informa, os prazos de envio e os erros que mais geram retrabalho.
Em resumo
- S-2210 informa o acidente de trabalho (CAT). S-2220 informa o exame ocupacional (ASO). S-2240 informa a exposição a agentes nocivos.
- A CAT deve ser enviada até o primeiro dia útil seguinte ao acidente. Em caso de morte, de imediato.
- S-2220 e S-2240 vão até o dia 15 do mês seguinte ao fato.
- A maior parte dos problemas vem de dados que não conversam: PGR, PCMSO e cadastro de trabalhadores desalinhados.
O eSocial reúne em um só canal as informações trabalhistas, previdenciárias e fiscais das empresas. Dentro dele, três eventos tratam de Saúde e Segurança do Trabalho. Eles não criaram obrigações novas: passaram a exigir, em formato digital e com prazo, informações que a empresa já devia produzir.
Os três eventos
| Evento | O que informa | De onde vem a informação | Prazo de envio |
|---|---|---|---|
| S-2210 | Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) | Registro e investigação da ocorrência, atendimento médico | Até o primeiro dia útil seguinte ao acidente. Em caso de morte, de imediato |
| S-2220 | Monitoramento da saúde do trabalhador | ASO e exames previstos no PCMSO | Até o dia 15 do mês seguinte ao da emissão do ASO |
| S-2240 | Condições ambientais do trabalho: agentes nocivos | Avaliações ambientais, PGR e LTCAT | Até o dia 15 do mês seguinte ao início da atividade ou à mudança das condições |
Os prazos seguem o Manual de Orientação do eSocial. A documentação técnica oficial fica no portal do eSocial1.
S-2210: a CAT
Informa acidentes típicos, de trajeto e doenças relacionadas ao trabalho. Pede dados da ocorrência (data, hora, local, parte do corpo atingida, agente causador, situação geradora) e do atendimento médico.
Onde costuma dar errado: atraso na comunicação interna. O acidente acontece na sexta, a informação chega ao responsável na segunda, e o prazo já passou. Um fluxo simples de comunicação resolve a maior parte dos casos.
S-2220: o ASO
Informa os exames ocupacionais: admissional, periódico, de retorno ao trabalho, de mudança de risco e demissional. Vão os procedimentos realizados, as datas e os dados do médico responsável.
Onde costuma dar errado: exame feito e não informado, principalmente quando a clínica entrega o ASO em papel e ninguém lança. Outro ponto é o PCMSO que não corresponde aos riscos do PGR, o que gera exames a mais ou a menos.
S-2240: as condições ambientais
É o evento mais técnico. Descreve o ambiente e as atividades de cada trabalhador, os agentes nocivos a que ele está exposto (conforme a tabela oficial do eSocial), a intensidade, a técnica de medição e a eficácia dos equipamentos de proteção coletiva e individual. Também identifica o responsável pelos registros ambientais.
É dele que sai o PPP eletrônico, usado pelo INSS na análise de aposentadoria especial. Por isso, erro aqui pode aparecer muitos anos depois.
Onde costuma dar errado:
- informar agente nocivo sem avaliação que sustente a informação;
- não atualizar o evento quando o trabalhador muda de setor ou de função;
- declarar o EPI como eficaz sem controle de entrega, treinamento e validade do CA;
- descrever atividades de forma genérica, sem relação com o cargo real.
Ausência de agente também se informa
Trabalhador sem exposição a agentes nocivos também tem S-2240, com o código de ausência de agente. Deixar de enviar por achar que “não tem risco” é um dos erros mais frequentes.
O que os três têm em comum
Nenhum deles nasce no eSocial. Eles são o retrato de processos que precisam existir antes:
- Cadastro em dia: setores, cargos e a lotação de cada trabalhador.
- PGR com inventário real: é dele que saem os agentes do S-2240.
- PCMSO alinhado ao PGR: é dele que saem os exames do S-2220.
- Fluxo de ocorrências: registro e investigação rápidos para o S-2210.
Quando essas bases conversam, o envio vira consequência. Quando não conversam, cada evento exige retrabalho e a chance de erro aumenta.
Por onde começar a conferir
- Liste os trabalhadores ativos e verifique se todos têm S-2240 enviado e atualizado.
- Compare os ASO emitidos nos últimos meses com os S-2220 transmitidos.
- Confirme se as CAT emitidas têm recibo do eSocial.
- Verifique se as mudanças de função do último ano geraram atualização.
Se o levantamento mostrar muitas diferenças, o problema raramente está no envio. Está na base. Vale ler também PGR de gaveta: cinco sinais de que o programa virou só papel.
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Portal do eSocial, Documentação técnica (leiautes e Manual de Orientação). ↩
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