Atendimento nacionalSegunda a sexta, das 8h às 18h(11) 96605-4183contato@pinhosst.com.br
SoluçõesMétodoNR-01PrismaBlogApresentaçãoErgonomiaDúvidasÁrea do cliente

Riscos psicossociais na NR-01: guia prático para sair do zero

O que a norma pede, quais fatores observar e um roteiro em sete passos para colocar a saúde mental dentro do gerenciamento de riscos da empresa.

Por Edilson Pinho · Engenheiro de Segurança do TrabalhoPublicado em 7 de outubro de 20265 min de leitura
RISCOS PSICOSSOCIAISPINHO SST

Em resumo

  • Os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho fazem parte do gerenciamento de riscos da NR-01 e entram no inventário e no plano de ação do PGR.
  • O foco é a organização do trabalho (carga, jornada, relações, papéis, reconhecimento), nunca o diagnóstico individual de pessoas.
  • Questionário sozinho não é avaliação de risco. Ele precisa ser cruzado com outras evidências e virar medida de prevenção.
  • As multas ligadas a esses itens estão suspensas pelo STF em outubro de 2026, mas a norma continua em vigor.

Saúde mental deixou de ser assunto apenas de campanha interna. Com a atualização da NR-01, os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho passaram a fazer parte do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Na prática, isso significa tratá-los como qualquer outro risco: identificar, avaliar, registrar no inventário, definir medidas e acompanhar.

Este guia reúne o essencial para quem precisa começar, em linguagem de gestor.

O que são fatores de risco psicossociais

São características da organização do trabalho que, quando persistem, podem afetar a saúde e o bem-estar das pessoas. A cartilha Saúde Mental no Trabalho, lançada pelo Tribunal Superior do Trabalho em parceria com a Universidade de Brasília1, resume seis situações do cotidiano que merecem atenção:

Fator Como aparece no dia a dia
Excesso ou falta de demandas Sobrecarga, pressão constante por resultados ou ausência de atividades e desafios
Jornadas prolongadas Exigência de disponibilidade fora do expediente e dificuldade de separar trabalho e vida pessoal
Relações desrespeitosas Assédio, conflitos constantes, discriminação e violência
Falta de organização Papéis pouco claros, mudanças mal conduzidas, pouca autonomia e falta de suporte
Falta de reconhecimento Esforço constante sem valorização ou retorno
Isolamento Trabalho remoto ou atividades que dificultam a troca, o apoio e o pertencimento

A própria cartilha faz uma ressalva importante: a presença de um ou mais fatores não significa que a pessoa desenvolverá um problema de saúde mental. O que se espera da empresa é identificar os riscos e adotar prevenção.

O objeto da avaliação é o trabalho, não a pessoa. Ninguém é diagnosticado. O que se mede é como o trabalho está organizado.

O que a NR-01 espera da empresa

A lógica é a mesma do restante do GRO:

  1. Identificar os perigos, incluindo os fatores psicossociais, nas atividades e nos setores.
  2. Avaliar os riscos com critérios definidos de probabilidade e severidade.
  3. Registrar no inventário de riscos do PGR.
  4. Definir medidas de prevenção e colocá-las no plano de ação, com responsável e prazo.
  5. Acompanhar a execução e verificar se as medidas funcionaram.
  6. Consultar os trabalhadores ao longo do processo.

O Ministério do Trabalho e Emprego publicou um manual do GRO e PGR com orientações sobre o tema2. Vale a leitura por quem conduz o programa.

E as multas?

Em outubro de 2026, o Supremo Tribunal Federal mantém suspensa a aplicação de multas e outras sanções baseadas nos itens de riscos psicossociais da NR-01 (ADPF 1316). A suspensão vale para as penalidades, não para a norma: a obrigação de identificar e gerenciar esses riscos continua. Explicamos os detalhes em Multas da NR-01 suspensas pelo STF: o que muda.

Roteiro em sete passos

1. Planeje antes de perguntar

Defina o escopo (quais unidades e setores), quem conduz, como o anonimato será garantido, quais instrumentos serão usados e como os resultados voltarão para as equipes. Esse planejamento por escrito é a primeira evidência de que o processo tem método.

2. Comunique com transparência

Explique o objetivo, deixe claro que não se trata de avaliação individual nem de diagnóstico psicológico e informe os canais existentes para situações que exigem tratamento próprio, como denúncias de assédio.

3. Escute quem faz o trabalho

Use um questionário validado, aplicado de forma anônima, e complemente com conversas em grupo e observação do trabalho real. Grupos muito pequenos não devem ter resultado divulgado, para que ninguém seja identificado.

4. Cruze com outras evidências

Afastamentos, faltas, rotatividade, horas extras, registros da CIPA e relatos recebidos (sempre de forma agregada) ajudam a confirmar ou relativizar o que a pesquisa mostrou. Uma fonte só raramente sustenta uma boa decisão.

5. Avalie como risco

Para cada fator identificado, classifique probabilidade e severidade com a mesma matriz usada no restante do PGR e registre no inventário, por setor ou grupo de exposição.

6. Aja na causa

Aqui está o erro mais comum. Palestra sobre bem-estar não resolve sobrecarga. Medidas eficazes mexem na organização do trabalho:

  • redimensionar equipes e redistribuir a carga;
  • limitar horas extras e combinar regras de contato fora do expediente;
  • esclarecer papéis e responsabilidades;
  • preparar lideranças para dar suporte e retorno;
  • manter política de prevenção ao assédio e canal de denúncia confidencial.

Ações educativas e programas de apoio são bem-vindos como complemento, nunca como única resposta.

7. Acompanhe e reavalie

Defina um indicador para cada ação, verifique a eficácia e repita a escuta em ciclos, com o mesmo instrumento, para comparar a evolução.

Erros que enfraquecem o processo

  • Tratar a pesquisa como avaliação de risco. O questionário é uma fonte de informação, não o resultado final.
  • Quebrar o anonimato, mesmo sem querer, ao divulgar resultados de equipes pequenas.
  • Misturar pesquisa com canal de denúncia. São instrumentos diferentes, com tratamentos diferentes.
  • Concluir com medidas individuais (resiliência, relaxamento) para problemas que são da organização do trabalho.
  • Não registrar. Sem plano, critérios e decisões por escrito, não há como demonstrar o que foi feito.

Onde a ergonomia entra

A Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP), prevista na NR-17, já olha para a organização do trabalho e é um caminho natural para identificar fatores psicossociais. Quando a situação pede aprofundamento, entra a Análise Ergonômica do Trabalho (AET). Veja as diferenças em AEP e AET: qual a diferença e quando cada uma é exigida.


  1. Justiça do Trabalho. Cartilha Saúde Mental no Trabalho, campanha “Sua saúde é uma fronteira que o trabalho não pode ultrapassar” (TST e UnB), setembro de 2026. Notícia do lançamento: TRT da 4ª Região. ↩

  2. Ministério do Trabalho e Emprego. Manual do GRO e PGR da NR-01, 2026. Texto das normas: Normas Regulamentadoras vigentes. ↩

Edilson PinhoEngenheiro de Segurança do Trabalho, à frente da Pinho SST, consultoria com atuação em GRO e PGR, saúde ocupacional, ergonomia, eSocial SST e treinamentos. Conteúdo informativo: não substitui a avaliação técnica da sua operação nem orientação jurídica. Situação das normas conferida em 7 de outubro de 2026.

Quer estruturar a avaliação psicossocial da sua empresa?

A Pinho SST conduz o processo completo: plano de aplicação, escuta anônima, análise, inventário de riscos e plano de ação integrado ao PGR.

Falar com um especialista