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AEP e AET: qual a diferença e quando cada uma é exigida

A Avaliação Ergonômica Preliminar olha para todas as situações de trabalho. A Análise Ergonômica do Trabalho aprofunda onde a primeira não basta. Veja como usar as duas.

Por Edilson Pinho · Engenheiro de Segurança do TrabalhoPublicado em 5 de outubro de 20263 min de leitura
ERGONOMIAPINHO SST

Em resumo

  • A AEP é o levantamento inicial das situações de trabalho e alimenta o inventário de riscos do PGR.
  • A AET é um estudo aprofundado, feito quando a AEP ou outros sinais mostram que é preciso ir além.
  • As duas olham para o trabalho real, incluindo a organização do trabalho, e por isso ajudam a identificar fatores psicossociais.
  • Nenhuma das duas é um documento para arquivar. Elas servem para decidir o que mudar.

AEP e AET são siglas que aparecem juntas em quase toda conversa sobre ergonomia, e é comum tratá-las como se fossem a mesma coisa em tamanhos diferentes. Não são. Cada uma tem um papel na NR-17, e entender esse papel evita dois problemas: gastar com análise aprofundada onde não era necessário e deixar sem estudo a situação que realmente pedia.

AEP: o olhar sobre todas as situações de trabalho

A Avaliação Ergonômica Preliminar é o ponto de partida. A NR-17 determina que a organização avalie as situações de trabalho que demandam adaptação às características das pessoas, e a AEP é o instrumento para isso1.

Na prática, ela:

  • cobre as atividades e os postos da empresa;
  • pode usar abordagens qualitativas, semiquantitativas, quantitativas ou uma combinação delas, conforme o risco e as exigências da atividade;
  • identifica perigos e produz informações para a avaliação de riscos;
  • tem seus resultados integrados ao inventário de riscos do PGR.

É comum que a AEP seja feita junto com o levantamento de perigos do PGR, o que faz sentido: os dois olham para a mesma operação.

AET: o estudo aprofundado

A Análise Ergonômica do Trabalho entra quando a avaliação preliminar não é suficiente. Pela NR-17, ela deve ser realizada quando:

  • a AEP indicar necessidade de uma avaliação mais aprofundada;
  • as medidas adotadas se mostrarem inadequadas ou insuficientes;
  • o acompanhamento de saúde dos trabalhadores, pelo PCMSO, sugerir relação com as condições de trabalho;
  • a análise de um acidente ou de uma doença relacionada ao trabalho apontar causa ligada às condições de trabalho.

Uma AET bem feita segue etapas: análise da demanda, análise do funcionamento da organização e da atividade, descrição dos métodos usados, diagnóstico, recomendações e devolução dos resultados, com participação dos trabalhadores.

Micro e pequenas empresas

A NR-17 prevê tratamento diferenciado para MEI e para microempresas e empresas de pequeno porte de graus de risco 1 e 2, que em regra ficam dispensados de elaborar a AET. A dispensa tem exceções previstas na norma e não elimina as demais exigências de ergonomia. Vale conferir o enquadramento da sua empresa antes de decidir.

Lado a lado

AEP AET
Para que serve Levantar e avaliar as situações de trabalho Aprofundar uma situação específica
Alcance Toda a empresa O setor, o posto ou a atividade em questão
Quando Sempre, como parte do gerenciamento de riscos Quando os gatilhos da NR-17 aparecem
Resultado Informações para o inventário de riscos Diagnóstico e recomendações detalhadas
Profundidade Preliminar Estudo da atividade real, com método descrito

O que as duas têm em comum

As duas partem do trabalho real: o que as pessoas fazem de fato, e não apenas o que está no procedimento. Por isso observam mobiliário e equipamentos, mas também ritmo, metas, pausas, autonomia e comunicação.

Esse olhar para a organização do trabalho é o que liga a ergonomia aos fatores de risco psicossociais. Sobrecarga, jornadas extensas e falta de clareza de papéis aparecem em uma boa avaliação ergonômica. Tratamos desse tema no guia prático de riscos psicossociais na NR-01.

Três erros comuns

  1. AEP genérica. Um texto que poderia ser de qualquer empresa não identifica nada. A avaliação precisa descrever as situações reais.
  2. AET sem demanda. Pedir análise aprofundada de tudo custa caro e dilui a atenção. A AET rende mais quando responde a uma pergunta clara.
  3. Recomendação sem dono. O que sai da AEP e da AET precisa entrar no plano de ação do PGR, com responsável e prazo. Sem isso, o estudo vira arquivo.

  1. Norma Regulamentadora nº 17 (Ergonomia). Texto vigente em Normas Regulamentadoras, Ministério do Trabalho e Emprego. ↩

Edilson PinhoEngenheiro de Segurança do Trabalho, à frente da Pinho SST, consultoria com atuação em GRO e PGR, saúde ocupacional, ergonomia, eSocial SST e treinamentos. Conteúdo informativo: não substitui a avaliação técnica da sua operação nem orientação jurídica. Situação das normas conferida em 5 de outubro de 2026.

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